Webinar: Indigenous Women: Training, Management and Income Generation, by Tereza Kezonazokero, Catiúscia Custódio & Alessandra Guató

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Data e Hora: 
Wednesday, 6 April, 2022 - 14:00 to 15:30

 

Sobre este evento/ About this event
 
Online event with Operação Amazonia Nativa chaired by Prof. Luciana Dadico
Organised by the Universidade de São Paulo and the University of Surrey as part of the UGPN project 'Women's (Im)Mobility in Times of Crisis'.
 
Please note the event will be held in Portuguese with simultaneous interpreting to English.
The event is free and open to all.
Zoom link will be emailed out to all registered attendees.
Register Here: [Link]
 
Tereza Cristina Kezonazokero - Professora e Liderança Ondígena do povo Paresi
Catiuscia Custodio – Indigenista da Operação Amazônia Nativa - OPAN
Alessandra Alves de Arruda Guato – Presidente da Associação de mulheres indígenas de Mato Grosso - TAKINÁ

 

Mulheres indígenas: formação, gestão e geração de renda / Indigenous Women: Training, Management and Income Generation
 
​O reconhecimento do papel das mulheres indígenas e não-indígenas para a sustentabilidade, defesa dos territórios e igualdade de direitos está colocado a nível global. E, neste sentido, as mulheres indígenas são agentes fundamentais para a promoção da qualidade de vida a partir das múltiplas funções que desempenham em suas comunidades como; mães de família, agricultoras, coletoras, artesãs, guardiãs do território, promotoras da cultura, professoras, lideranças, agentes de saúde. Apesar do atual contexto político nacional desfavorável, e que vem afetando diretamente as chamadas “minorias” a partir da retração do estado de bem-estar social, fechando as portas de diálogo com a sociedade civil organizada, legitimando e incentivando formas de violência étnico-racial. Ainda, assim, notadamente as últimas décadas foram marcadas pelo fortalecimento dos movimentos sociais, em especial, os movimentos de mulheres indígenas na América Latina.
 
​O movimento de mulheres indígenas no Brasil apresenta um repertório amplo e diversificado de discursos e demandas. As mulheres indígenas a partir de suas reivindicações tem tomado a cena política nacional e internacional e demonstrado poder de resistência frente ao avanço do capital sob seus territórios e a capacidade de transformação da realidade a partir do engajamento social em suas comunidades e na busca por parcerias externas que as ajudem a colocar em pratica seus projetos de futuro. É relevante refletir que esse quadro foi construído e se apresenta como fruto da troca de experiências com outros segmentos de movimentos sociais como os movimentos feministas de mulheres negras, quilombolas, assentadas, sem terras e também pela realidade vivenciada nos territórios. Contudo, é preciso atentar para o fato de que os movimentos de mulheres indígenas apresentam especificidades culturais, étnicas, territoriais que lhes conferem um lugar singular em meio aos demais movimentos feministas e de gênero.
 
​Trabalhar questões de gênero junto as comunidades indígenas necessitam de uma escuta atenta, um diagnóstico preciso e que tenha como base os princípios sociais e culturais de cada povo, para não reproduzir discursos e conceitos acadêmicos, eurocêntricos, feministas que não se encaixam ou se aplicam as diferentes realidades.
 
​Contudo, ainda precisamos avançar muito nos debates de gênero para transformar o ambiente institucional para alcançar uma igualdade de poder e atuação. E assim, consequentemente redesenhar coletivamente a atuação indigenista para atender às demandas colocadas pelas mulheres. Processos formativos com enfoque no fortalecimento organizacional e associativo vem sendo realizados de forma constante, para que essas entidades indígenas, e algumas constituídas por mulheres, possam acessar recursos e desenvolver projetos que atendam demandas comunitárias e de direitos.